Dia 1 – 11 de abril (sábado)
O 1º dia de mobilidade de alunos Erasmus+ foi dedicado à viagem do Sardoal para Helsínquia, com escala em Amesterdão. A chegada ocorreu por volta das 13h10, após um percurso tranquilo e particularmente animado, vivido com entusiasmo pelos 11 alunos e 4 professores do AES. Assinale-se que, para dois dos alunos, esta experiência constituiu o seu batismo de voo, tendo o nervosismo inicial sido rapidamente superado, dando lugar a um sentimento de realização.
À chegada à capital finlandesa, fomos brindados com condições meteorológicas bastante agradáveis, com céu limpo, sol e uma temperatura a rondar os 15 °C. Durante a tarde, realizamos uma visita ao centro histórico, incluindo alguns dos seus locais mais emblemáticos, nomeadamente, a Biblioteca Oodi, as catedrais ortodoxa e luterana, a estação central, o Parque Esplanadi, o mercado tradicional e o porto comercial, permitindo um primeiro contacto enriquecedor com a cidade.
O jantar decorreu num dos centros comerciais da cidade, proporcionando um momento de convívio e descontração após um dia longo e intenso.
Amanhã, a viagem prosseguirá de comboio até Tampere, onde está prevista uma visita à cidade em conjunto com os parceiros da escola finlandesa. Posteriormente, o grupo seguirá de autocarro para Kauhajoki, com chegada prevista pelas 21h, momento em que terá lugar o encontro com as famílias de acolhimento.
Importa salientar que este é já é terceiro intercâmbio realizado com esta escola finlandesa, no âmbito de uma parceria estratégica sólida, que continua a promover a cooperação, a cultura e o fortalecimento de laços institucionais entre as duas instituições amigas.




Dia 2 – 12 de abril (domingo)
Dia dedicado à visita da cidade de Tampere.
A viagem de Helsínquia para Kauhajoki começou na Estação Central de Helsínquia, onde apanhamos o comboio por volta das 9h.
O comboio era muito moderno e confortável, com bar/restaurante, wi-fi gratuito e salas de reuniões e de trabalho no piso superior. Lá fora, a paisagem era muito bonita, campos agrícolas intercalados ora com a floresta nórdica, ora com os inúmeros lagos típicos deste país.
Na estação de Tampere, fomos recebidos pela comitiva de professores e alunos finlandeses, que já nos esperavam com um cartaz de boas-vindas.
Depois das apresentações e do reencontro com “velhos amigos”, a comitiva das duas escolas iniciou a visita a Tampere, a terceira cidade mais importante da Finlândia.
Tampere é uma cidade que combina o rústico e o moderno. Possui cerca de 250 mil habitantes e está localizada entre dois grandes lagos, Näsijärvi e Pyhäjärvi, que marcam de forma evidente a paisagem e a qualidade de vida da população. Historicamente, foi um importante centro industrial, sendo conhecida como o “Manchester da Finlândia”, devido ao forte desenvolvimento das indústrias têxteis e metalúrgicas, bem como ao aspeto dos seus edifícios históricos em tijolo vermelho.
Atualmente, a sua economia está mais orientada para a tecnologia, educação e inovação, com a presença de empresas modernas e startups. Para além disso, é um importante centro universitário, com uma vida cultural muito ativa, museus, festivais e uma forte tradição de saunas, muito presente no quotidiano da cidade.
Além do centro histórico e das zonas ribeirinhas de Tammerkoski (um canal artificial que liga os dois lagos), a comitiva visitou o Museu da Indústria e o Museu do Vapor, onde foi possível observar a história da cidade neste setor de atividade, que esteve na origem do seu grande desenvolvimento. Foi uma verdadeira viagem no tempo, quase um regresso à Revolução Industrial na Inglaterra do século XIX.
Seguiu-se a Câmara Municipal, a antiga igreja ortodoxa e o centro Tallipiha (um pequeno parque com casinhas de madeira coloridas, lojas, cafés e artesanato local). A visita a Tampere terminou na Torre de Observação de Pyynikki, uma torre com 26 metros de altura que oferece uma vista privilegiada sobre os lagos e a cidade, e onde se podem provar os melhores donuts da região.
O resto da viagem decorreu com tranquilidade e, já passavam das 21h quando a comitiva chegou de autocarro a Kauhajoki, onde as famílias aguardavam os alunos com grande expectativa. ![]()
Fotos de Maria João Newton




Dia 3– 13 de abril (segunda)
Primeiro dia de atividades na escola. Um dia muito intenso, preenchido e com muita informação. O dia começou soalheiro com a visita à escola “Kauhajoen Lukio”, nomeadamente com a apresentação de um pequeno vídeo sobre o AES, realizado no auditório pelos alunos Ana Lobato e José Duarte.
Importa referir que esta escola funciona como um “campus educativo”, composto por quatro escolas/polos diferentes: o pré-escolar e o 1.º ciclo juntos; a junior school (equivalente ao 3.º ciclo); a high school (equivalente ao ensino secundário); e a escola vocacional (equivalente ao ensino profissional) que partilham alguns serviços em comum, num total de cerca de 1200 alunos.
O ensino é municipal e cada polo/ciclo tem um diretor escolar, que é nomeado por um conselho municipal de educação. Não existe limitação de mandatos. A escola tem diferentes horários consoante o nível de ensino, mas, em geral, as aulas começam às 8h e terminam entre as 14h e as 15h.
A escola apresenta excelentes condições de trabalho para alunos e professores, bem como várias singularidades no seu funcionamento.
É uma escola moderna, com ótimas instalações, que aposta fortemente na educação e formação dos seus alunos, bem como em projetos internacionais. Não se ouve barulho nos corredores e os alunos aparentam ser muito tranquilos.
Os finlandeses com quem contatámos foram todos muito simpáticos e prestáveis, contrariando um pouco a ideia de que os nórdicos são frios e distantes. Uma das novidades que salta imediatamente à vista é o facto de todos os alunos e professores, ao entrarem na escola, deixarem os sapatos e os casacos em sapateiras/vestiários/cacifos abertos, circulando depois apenas de meias dentro do edifício. Sim, andam de meias pela escola, exceto quando precisam de se deslocar entre edifícios.
Outra curiosidade é o fato de alguns alunos (maiores de 16 anos) virem de trator para a escola e estacionarem as potentes “máquinas no parque de estacionamento da mesma.
Na sala de professores, descobrimos duas obras de Álvaro Mendes, oferecidas pelo ex-presidente Miguel Borges, bem como outras recordações alusivas às últimas visitas desta escola ao nosso agrupamento.
Seguiu-se uma visita à Câmara Municipal de Kauhajoki, onde fomos muito bem recebidos pelo Sr. Presidente da Câmara, Niku Latva-Pukkila, que nos deu as boas-vindas e realizou uma breve apresentação sobre o concelho.
De regresso à escola, lugar para uma sessão de karaoke, onde os alunos portugueses estiveram em destaque. O almoço foi na cantina por volta das 11,30h e logo depois, os alunos das duas escolas, realizam uma serie de jogos pré-desportivos preparados pelos alunos finlandeses no ginásio da escola.
O resto da tarde foi livre para passeios, estar com amigos ou simplesmente, para convívio com as famílias.
Por sua vez, os professores visitaram a vila piscatória de Svedjehamn, Património Mundial da UNESCO, situada no arquipélago de Kvarken e conhecida pela sua natureza única e por paisagens de cortar a respiração.
Fotos de Maria João Newton.







Dia 4– 14 de abril (terça)
Dia de workshops na escola Kauhajoen Lukio
De manhã, as atividades tiveram início com um workshop prático sobre “Cidadania Ativa”, dinamizado pelo Conselho Municipal da Juventude local. O desafio proposto aos alunos do projeto Erasmus+ consistiu na apresentação de propostas, com um orçamento máximo de 2000 euros, que promovessem a cidadania e pudessem ser implementadas em Kauhajoki ou no Sardoal.
No final, os alunos, organizados em grupos mistos com participantes dos dois países, apresentaram as suas ideias e entregaram-nas ao referido Conselho.
Seguiu-se um segundo workshop prático, desta vez dedicado à pintura de pedras. Cada aluno foi desafiado a pintar uma ou duas pedras com mensagens impactantes relacionadas com o Erasmus+ ou com a Cidadania Ativa. Posteriormente, estas pedras seriam colocadas em locais estratégicos do parque da cidade e indexadas ao Google Fotos, permitindo que os escuteiros locais as encontrassem alguns dias depois.
Após o almoço na cantina — puré de batata com bacalhau frito — decorreu mais um workshop, promovido pela Europe Direct South Ostrobothnia. Esta entidade funciona como um centro de informação da União Europeia, tendo como missão divulgar os valores europeus e aproximar as instituições dos cidadãos.
Neste workshop, os alunos participaram num roleplay intitulado “Como funciona a União Europeia”. Cada participante assumiu aleatoriamente o papel de um eurodeputado, recorrendo a uma aplicação informativa específica. Posteriormente, os “eurodeputados” reuniram-se por famílias políticas para aprovar ou rejeitar as propostas apresentadas pelo Conselho Europeu.
As propostas aprovadas por cada família política foram depois negociadas com outras, com o objetivo de alcançar consensos. Só após esse processo poderiam transformar-se em leis. Esta atividade permitiu simular o processo legislativo europeu, evidenciando as várias etapas de negociação até à aprovação final — objetivo que foi plenamente alcançado.
O restante da tarde ficou livre para passeios, convívio entre amigos ou momentos passados com as famílias de acolhimento.














Dia 5– 15 de abril (quarta)
Dia dedicado aos Desportos de Natureza
A manha foi passada no monte Sotka, uma espécie de montanha artificial a 5km da cidade e onde foi construído uma estância de sky para os habitantes de Kauhajoki. Infelizmente, não havia muita neve no monte porque o tempo tem estado quente (para aquilo que é habitual) mas ainda assim, havia alguma que tinha sido produzida artificialmente.
A 1º atividade da manhã foi uma espécie de aula ao ar livre (Outdoor Education) em que os alunos se tinha de posicionar mudando de lugar (a favor, contra ou abstenção) relativamente a uma série de questões colocadas pela professora Johanna, relacionada com a União Europeia e os projetos Erasmus+.
O almoço piquenique foi relativamente cedo, numa cabana de montanha expressamente alugada para o efeito. Seguiu-se uma caminhada de 4km pela floresta adjacente, sempre sob a batuta do professor Simo que nos ia explicando a biodiversidade da floresta.
Caminhar numa floresta da Finlândia é uma experiência profundamente prazerosa, quase meditativa e sobretudo cultural para os finlandeses. A natureza revela-se em estado puro através de trilhos tranquilos, ar incrivelmente fresco e um silêncio que só é interrompido pelo som do vento nas árvores ou pelo canto distante dos pássaros.
O solo macio coberto de musgo, o cheiro das árvores e a luz suave que atravessa os ramos criam um ambiente colorido muito relaxante. Mais do que um simples passeio, é uma forma de desligar do ritmo acelerado do dia a dia e reconectar com a natureza de forma autêntica e tranquila.
Tempo ainda para os alunos se divertirem deslizando pela montanha abaixo, em pequenas pranchas de neve.
A restante tarde foi livre para passeios, convívio entre amigos ou momentos passados com as famílias de acolhimento. ![]()
Fotos de Maria João Newton.




Dia 16 de abril (quinta-feira) – Último dia de atividades
Logo pela manhã, a comitiva portuguesa visitou a Leader Suupohja. Trata-se de uma organização de desenvolvimento regional na Finlândia, muito semelhante à nossa Associação Tagus – Ribatejo Interior. Integra o programa europeu LEADER, que apoia iniciativas locais em áreas rurais.
O seu principal objetivo é fortalecer as comunidades, a economia local e a qualidade de vida em regiões menos urbanizadas, através do financiamento de projetos locais, do apoio ao empreendedorismo rural, do incentivo a iniciativas comunitárias e da promoção do desenvolvimento sustentável. Os nossos alunos ouviram as explicações, colocaram questões e ficaram a conhecer um vasto leque de oportunidades que se abre no futuro, quando entrarem no mercado de trabalho.
O almoço decorreu na escola, como tem sido habitual, e foi dia de sopa — apenas sopa: sopa de batata com salsichas. Por ser o último almoço em conjunto, os alunos portugueses e finlandeses decidiram almoçar fora, na cidade.
Após o almoço, os alunos dirigiram-se ao parque da cidade para espalhar as pedras pintadas que tinham criado no workshop de terça-feira. Como registo do trabalho realizado, cada aluno teve de enviar uma fotografia do local onde deixou a sua pedra, para um padlet criado para o efeito.
Por sua vez, os professores visitaram a “Aro Elementary School”, uma escola especializada na integração de alunos imigrantes no sistema educativo finlandês. Trata-se de uma escola de acolhimento para alunos do 1.º ao 6.º ano, cujo trabalho consiste em receber estudantes de várias nacionalidades (ucranianos, húngaros, iranianos, entre outros), ensinar-lhes a língua finlandesa e, posteriormente, integrá-los no ensino regular.
Como amanhã é dia de regresso a casa, realizou-se, pelas 18h, o tradicional jantar final da Semana Erasmus+. O jantar foi organizado pelas famílias e decorreu num chalé de floresta, junto a um grande lago e a poucos km da cidade. O ambiente foi muito agradável e, no final, procedeu-se à habitual entrega de certificados.
Para tornar a noite ainda mais especial, não faltaram a sauna e o banho gelado da ordem, típicos da cultura finlandesa. Entre o calor profundo da sauna e o choque do banho gelado, o corpo desperta e a mente renasce. Os finlandeses acreditam que este contraste térmico ativa a circulação, proporciona uma sensação imediata de energia, revitaliza o corpo e acalma profundamente a mente.
Além disso, a sauna é também um importante espaço social, onde amigos, família e até colegas de trabalho partilham momentos de forma descontraída, sem pressas nem formalidades.
Foi, sem dúvida, uma experiência inédita e marcante para todos.
Amanhã será um dia dedicado à viagem de regresso, pelo que não haverá o habitual resumo diário. Assim, encerramos aqui os nossos relatos. A Equipa Erasmus+ agradece a atenção de todos — famílias e amigos — bem como todas as mensagens positivas e de apoio recebidas ao longo desta semana. ![]()
Fotos de Maria João Newton.



